Contagem decrescente
É tempo, agora,de deitar fora o que não presta:
imagens desfocadas,
palavras magoadas
ou sempre adiadas,
sorrisos em tons de sépia,
gestos repetidos,
ausentes, vazios,
afectos que há muito se
desprenderam da alma,
deixando atrás de si a mágoa
e a vida escrita em esboços
guardados no bolso
de um qualquer casaco
roto e bolorento.
É tempo, agora,
de enterrar cinzas
e uma ou outra ferida aberta.
Tempo de lançar fora o medo
de abrir a porta.
É tempo de partir.
AMS