quarta-feira, março 08, 2006

Sobre as mulheres

Ignoram-nas. Tratam-nas mal. Não as amam. Desprezam-nas. Violentam-nas. Só não compreendo por que estranho desígnio se calam as mulheres?! Ou porque têm marés de mágoa no coração?! É como se transportassem uma culpa, uma mancha para além do selo de serem mulheres. E despromovem-se. E desistem. Porque são quase nada. Porque nem passam pelo “nada essencial” de que falava Heidegger
Quando deixaremos de ser o maravilhoso "instrumentum diabolicum" a que se referia Nietzsche? Quando deixaremos de ser acusadas pelos bocadinhos de paraíso que conquistámos? Quando deixaremos de ser o pecado da sedução, a vertigem de objectos efémeros, o lugar precário da paixão? Quando seremos, finalmente, aceites, em verdade e transparência, como pessoas livres e lúcidas? Com vontade. Com desejo. Com sonhos. Com um corpo e uma alma.
Tem havido um desequilíbrio cultural entre a força e a sensibilidade, entre o som ríspido e o o som fluido, entre o olhar cheio de mundo e o olhar que se revê num ventre cheio de luas, e a mulher tem, aparentemente, perdido na batalha dos sexos. Mas só aparentemente. Estamos inteiras. Conscientes. Verdadeiras. Porque sabemos que a nossa vida – só nós a podemos mudar. Porque sabemos que o nosso valor – só nós o podemos mostrar. Mas, sobretudo, porque começamos a saber

quem somos.
Ambos, homens e mulheres, têm muito a aprender uns com os outros.
Termino, não sem antes aqui deixar uma reflexão de Erica Jong - " Durante séculos e séculos, escreveram-se livros com esperma, jamais com sangue menstrual. Até aos meus vinte e um anos comparei os meus orgasmos com os de Lady Chatterley, interrogando-me sobre o que me faltava. Só depois me veio ao espírito que a Lady Chatterly era na realidade um homem - que na verdade ela se chamava D. H. Lawrence."

AMS